O CARRAMÃO

No longínquo ano de 1972 eu pisei pela primeira vez o solo sagrado da AAAOC, como calouro da sexagésima. A partir daquele momento, durante os 25 anos subsequentes, frequentei aquele espaço todos os dias. Minha primeira residência, após o casamento, foi no Condomínio Edifício Lagoinha, na rua Arthur de Azevedo, aquele edifício de 4 andares que faz parede com a quadra externa. Naquele primeiro encontro (que marcou minha vida para sempre) folheei o primeiro Carramão. O editor era o Magro, da 59, jogador de voleibol e hoje um grande ginecologista. No ano seguinte, fui convidado pelo Paulo Schiller, presidente da Atlética em 1973, para escrever o Carramão. Assim o fiz durante os 6 anos que se seguiram, incluindo o R1 de Patologia.

Eram tempos diferentes. O texto era escrito diretamente em estêncil. Para os que não sabem, o estêncil era uma folha dupla que se inseria na máquina de escrever. A camada de baixo continha uma camada de tinta que servia de base para a impressão em um aparelho chamado mimeógrafo. A impressão era feita folha por folha. Maiores detalhes vocês encontrarão em texto arqueológicos ou no papiro de Ebers. A equipe de redação era composta por mim, pelo Carlos Hideki Kawahara (o Pedrita) e pelo Teoclito Sachetto de Carvalho (Teo). O texto era datilografado diretamente sobre o estêncil e os exemplares (entre 300 a 500) eram impressos no mimeógrafo, cada folha de uma vez, trabalho executado inicialmente pelos redatores. Somente após 1974 conseguiu-se recursos para que a gráfica do CAOC (que imprimia apostilas de aula), cuida-se também do Carramão.

Nesta época, o Carramão reportava os resultados das competições e jogos das equipes da AAAOC ocorridos nos finais de semana (10% do texto), reservando-se o restante do espaço para o besteirol. O processo de escrita acontecia em geral nas tardes de segunda-feira, onde os 3 redatores, acompanhados por vários colaboradores (atletas da AAAOC), reuniam-se na sala da Atlética (no porão da FMUSP) para escrever o Carramão.

Quando escrevo estas palavras volto no tempo e faço um reencontro afetivo comigo mesmo e com as lembranças queridas das amigas e amigos daqueles tempos. O coração aperta um pouco e os olhos se umedecem.

 

Salve a gloriosa AAAOC. Salve nossa amada Faculdade...
 

Prof. Paulo Saldiva ("Pepino"), Turma 60

Do estêncil ao Microsoft Office, o jornal “O Carramão” mantém o seu propósito em informar, homenagear e, obviamente, prover alguns momentos de descontração e risada aos seus fiéis leitores (pelo menos é assim que “Los Editores” gostam de pensar sobre o resultado final de sua obra). Atualmente, os assíduos leitores da versão aoquiana de “O Pasquim” podem desfrutar de 6 edições anuais, sendo elas: Carramão Calouros, Carramão Calomed, Carramão Interusp, Carramão Acorda Porcada, Carramão Intermed e Carramão Retrospectiva.

Caso tenha interesse em conhecer um pouco mais sobre o nosso jornal, o corpo editorial de O CA-RRA-MÃO separou algumas relíquias do Baú do Tempo para que vossa excelência possa sanar (ou atiçar) vossa curiosidade.

Ass. Los Editores